De Quem é o Controle? O perigo de tentar ocupar o lugar que pertence a Deus
Controlar o futuro, evitar sofrimentos, garantir que tudo aconteça exatamente como planejamos. Se formos sinceros, todos nós, em algum momento, sentimos a necessidade de manter as rédeas da vida em nossas mãos.
Mas essa busca incessante pelo controle pode revelar um problema muito mais profundo do que imaginamos.
Em Gênesis 3:16, Deus declara à mulher:
"Multiplicarei grandemente o teu sofrimento na gravidez; em meio à agonia darás à luz filhos; seguirás desejando influenciar o teu marido, mas ele te dominará."
Embora esse texto trate especificamente das consequências da queda, ele revela uma realidade que atravessa toda a humanidade: a tendência de querer controlar.
A antiga tentação continua a mesma
Quando Deus criou o ser humano, afirmou que ele seria feito à Sua imagem e semelhança.
Isso significa que fomos criados para refletir o caráter de Deus.
O problema surgiu quando a serpente apresentou uma proposta diferente.
Ela disse a Eva que, ao comer do fruto, ela seria como Deus.
Essa foi a grande mentira do Éden.
Não bastava refletir Deus. A tentação era ocupar o Seu lugar.
Séculos depois, essa mesma mentira continua seduzindo o coração humano.
Sempre que insistimos em controlar tudo, agir de forma completamente independente ou acreditar que não precisamos de Deus, estamos repetindo o mesmo movimento iniciado no jardim.
Existem atributos que pertencem somente a Deus
A Bíblia revela diversos atributos do Senhor.
Alguns deles Deus compartilha conosco.
O amor, por exemplo, é derramado sobre nós para que possamos amar outras pessoas.
A misericórdia, a bondade e a compaixão também são características que Deus desenvolve em Seus filhos.
Mas existe um atributo que jamais será compartilhado:
A soberania.
Somente Deus governa todas as coisas.
Somente Ele conhece o fim desde o princípio.
Somente Ele possui domínio absoluto sobre a história.
Quando tentamos assumir esse lugar, inevitavelmente nos frustramos.
O problema da autossuficiência
Existe uma diferença enorme entre responsabilidade e autossuficiência.
Deus nos chama para agir, trabalhar, planejar e tomar decisões.
Mas nunca para viver como se tudo dependesse exclusivamente de nós.
A autossuficiência faz o ser humano acreditar que sua inteligência, seus recursos e sua capacidade são suficientes para controlar a própria vida.
O resultado costuma ser ansiedade, medo, esgotamento e frustração.
Afinal, estamos tentando carregar um peso que nunca foi feito para nossos ombros.
A dependência não é fraqueza
No Reino de Deus, depender não significa ser fraco.
Pelo contrário.
Quanto mais reconhecemos nossa dependência do Senhor, mais experimentamos Sua força.
Foi exatamente isso que Jesus ensinou quando afirmou:
"Sem mim vocês não podem fazer coisa alguma."
Nossa segurança não está na capacidade de controlar os acontecimentos, mas em confiar naquele que governa todas as coisas.
Uma ilustração para refletir
Imagine que seres humanos desenvolvessem robôs extremamente inteligentes.
Agora imagine que esses robôs resolvessem ignorar completamente seus criadores, passando a agir como se fossem totalmente independentes.
Provavelmente pensaríamos:
"Eles se rebelaram."
Foi exatamente isso que aconteceu com a humanidade.
Quando a criatura decide viver sem depender do Criador, instala-se o caos.
Não fomos criados para ocupar o trono de Deus.
Fomos criados para caminhar ao lado dEle.
Descansar também é um ato de fé
Entregar o controle não significa abandonar responsabilidades.
Significa reconhecer que existe um Deus infinitamente mais sábio do que nós conduzindo cada detalhe da história.
Enquanto tentamos controlar tudo, carregamos um peso impossível.
Quando confiamos na soberania de Deus, encontramos descanso.
A paz nasce justamente quando entendemos que o mundo não depende das nossas mãos, mas das mãos dAquele que nunca perde o controle.
Desafio do dia
Reserve um tempo para identificar quais áreas da sua vida você tem tentado controlar sozinho.
Depois apresente cada uma delas ao Senhor em oração.
Peça que Deus substitua a autossuficiência por dependência, o medo pela confiança e a ansiedade pela certeza de que Ele continua soberano sobre todas as coisas.