Hugo Jordão

O Marketing Mudou: Por que sua Empresa Precisa de um Rosto em 2026 com Juliana Stier

24/08/2026 Hugo Jordão

Juliana Stier: inteligência artificial, marketing de influência e a volta do conteúdo humano em 2026

O mercado de comunicação atravessa uma de suas transformações mais profundas.

Com a popularização da inteligência artificial, produzir textos, imagens, vídeos e estratégias básicas tornou-se mais rápido e acessível. O que antes exigia horas de trabalho agora pode ser criado em poucos minutos.

Essa facilidade, porém, trouxe uma nova dificuldade.

Se todos conseguem produzir mais, como uma marca pode continuar sendo reconhecida?

Em entrevista ao podcast de Hugo Jordão, a publicitária e empresária Juliana Stier, fundadora da agência Publi, explica que a resposta não está apenas em aumentar a quantidade de publicações.

O principal diferencial está naquilo que a inteligência artificial não consegue reproduzir completamente: história, experiência, personalidade, repertório, relacionamento e verdade.

Juliana construiu sua carreira acompanhando de perto a evolução do marketing de influência no Brasil. Começou a trabalhar com criadores digitais em 2016, na Cabify, passou pelo Rappi durante a expansão da empresa no país, fundou a Brain Booster e desenvolveu uma plataforma capaz de conectar marcas e influenciadores.

Depois de mais de 600 empresas utilizarem o sistema, ela percebeu que a tecnologia não solucionava sozinha o maior problema do mercado.

As empresas ainda precisavam de estratégia, curadoria e acompanhamento humano.

Essa conclusão levou Juliana a transformar a Publi em uma agência boutique, especializada em construir relações mais estratégicas entre marcas e criadores.

Durante a entrevista, ela aborda temas como:

  • o início do marketing de influência no Brasil;

  • sua experiência na Cabify e no Rappi;

  • a criação da Brain Booster;

  • a expansão do Rappi de 5 para 200 cidades;

  • a construção de uma base com mais de 3.000 influenciadores;

  • os erros mais comuns na contratação de criadores;

  • a criação e o encerramento da plataforma Publi;

  • os limites da automação no marketing;

  • a transformação do conteúdo em commodity;

  • o retorno dos eventos presenciais;

  • o crescimento dos conteúdos longos;

  • o uso de histórias pessoais nas redes sociais;

  • a força dos microinfluenciadores;

  • a “estratégia da bolha”;

  • a responsabilidade dos influenciadores na escolha das marcas;

  • a necessidade de o empresário aparecer.

A conversa mostra que o futuro do marketing pode utilizar cada vez mais tecnologia, mas continuará dependendo profundamente das pessoas.

Quem é Juliana Stier?

Juliana Stier é publicitária, empresária e fundadora da agência Publi.

Sua trajetória profissional está ligada à estruturação de campanhas de marketing de influência e à criação de estratégias que conectam marcas, criadores de conteúdo e consumidores.

Juliana começou a trabalhar diretamente com influenciadores digitais em 2016, quando integrou a plataforma espanhola Cabify.

Posteriormente, passou pelo Rappi e participou da construção da área de marketing de influência durante uma importante fase de expansão da empresa no Brasil.

Sua experiência permitiu que ela observasse o mercado por diferentes perspectivas.

Juliana conheceu:

  • as expectativas das marcas;

  • a rotina dos influenciadores;

  • os desafios das agências;

  • as possibilidades da tecnologia;

  • os limites da automação;

  • a importância da conversão;

  • a necessidade de acompanhamento estratégico.

Esse conjunto de experiências levou à criação de empresas e soluções voltadas ao marketing de influência.

O início da trajetória na Cabify

A relação profissional de Juliana com os influenciadores digitais começou em 2016, na Cabify.

Naquele período, o marketing de influência ainda estava em processo de amadurecimento.

Muitas empresas observavam o crescimento dos criadores de conteúdo, mas ainda não compreendiam completamente como transformar alcance e engajamento em resultados de negócio.

As marcas precisavam descobrir:

  • quais influenciadores contratar;

  • como avaliar os perfis;

  • quanto investir;

  • quais métricas acompanhar;

  • como criar um briefing;

  • como medir os resultados;

  • como diferenciar audiência de conversão.

A experiência na Cabify colocou Juliana em contato com essas questões.

Mais do que buscar perfis com muitos seguidores, era necessário entender quem conseguia conversar com o público e influenciar uma decisão real.

A entrada no Rappi

Depois da Cabify, Juliana passou a integrar a equipe do Rappi.

Sua missão envolvia estruturar e liderar a área de marketing de influência durante o período de expansão da plataforma no Brasil.

O contexto apresentava um desafio significativo.

A empresa precisava conquistar usuários em diferentes cidades e construir reconhecimento rapidamente.

O marketing de influência tornou-se uma das ferramentas utilizadas nesse processo.

Entretanto, trabalhar com criadores em escala nacional exigia organização, análise e adaptação regional.

Um influenciador relevante em São Paulo não necessariamente produziria o mesmo resultado em Curitiba ou em outras cidades.

Era necessário compreender cada praça.

Quando Curitiba superou São Paulo

Um dos resultados destacados por Juliana aconteceu em Curitiba.

O projeto de aquisição de clientes por meio de influenciadores alcançou um desempenho tão expressivo que superou a praça de São Paulo.

O resultado demonstrou que tamanho de mercado não é o único fator determinante para o sucesso de uma campanha.

Uma estratégia local bem construída pode superar investimentos realizados em cidades maiores.

Para isso, é necessário observar:

  • identificação do público;

  • influência regional;

  • linguagem utilizada;

  • credibilidade do criador;

  • momento da campanha;

  • clareza da oferta;

  • facilidade de conversão.

A experiência mostrou que o marketing de influência precisa ser planejado de acordo com o comportamento real das pessoas.

A expansão do Rappi de 5 para 200 cidades

Durante o período relatado por Juliana, o Rappi passou de uma presença em cinco cidades para uma operação distribuída por aproximadamente 200 localidades.

Essa expansão aumentou significativamente a demanda por criadores de conteúdo.

Não bastava encontrar alguns grandes influenciadores nacionais.

A marca precisava identificar pessoas capazes de gerar reconhecimento e aquisição em diferentes regiões.

O crescimento exigiu:

  • mapeamento de criadores locais;

  • organização dos contatos;

  • acompanhamento das entregas;

  • padronização dos briefings;

  • avaliação de resultados;

  • controle dos prazos;

  • análise da conversão;

  • construção de relacionamentos.

Essa necessidade contribuiu para a criação da Brain Booster.

A criação da Brain Booster

Juliana fundou a Brain Booster para atender à crescente demanda por campanhas de marketing de influência.

A empresa nasceu da necessidade de ampliar o trabalho realizado com os criadores e oferecer estrutura para a expansão das marcas.

A agência construiu uma base ativa com mais de 3.000 influenciadores mapeados.

Entretanto, o banco de dados não considerava apenas o número de seguidores.

Ele também reunia informações sobre o comportamento profissional dos criadores.

O objetivo era compreender quem realmente entregava resultados.

O que era analisado nos influenciadores?

O banco de dados desenvolvido pela agência permitia acompanhar elementos fundamentais para uma contratação.

Entre eles estavam:

  • cumprimento de prazos;

  • fidelidade ao briefing;

  • qualidade da entrega;

  • facilidade de comunicação;

  • disponibilidade;

  • capacidade de gerar conversão;

  • histórico de campanhas;

  • adequação ao público da marca.

Essa análise ajudava a separar visibilidade de eficiência.

Um influenciador pode possuir muitos seguidores e, ainda assim, não ser a escolha mais adequada para determinada campanha.

Outro criador, com uma audiência menor, pode reunir uma comunidade mais próxima e produzir resultados superiores.

Seguidores não garantem vendas

Um dos erros mais frequentes no marketing de influência é acreditar que uma grande audiência produzirá automaticamente um grande volume de vendas.

O número de seguidores representa apenas uma parte da análise.

Uma campanha também depende de:

  • compatibilidade entre marca e criador;

  • confiança da audiência;

  • qualidade da oferta;

  • frequência da comunicação;

  • entendimento do produto;

  • formato da entrega;

  • clareza do chamado para ação;

  • experiência de compra;

  • acompanhamento dos resultados.

Quando esses elementos não estão alinhados, até uma publicação com grande alcance pode gerar poucas conversões.

A criação da plataforma Publi

A partir das informações acumuladas sobre marcas e influenciadores, Juliana decidiu transformar parte do processo em tecnologia.

Assim nasceu a Publi.

A plataforma funcionava como uma espécie de “Tinder corporativo”, aproximando empresas e criadores de conteúdo de acordo com características compatíveis.

A proposta era tornar o processo de contratação mais rápido e eficiente.

As empresas poderiam encontrar influenciadores, enquanto os criadores teriam acesso a oportunidades comerciais.

Mais de 600 empresas chegaram a utilizar o sistema.

A quantidade de usuários demonstrava a existência de uma demanda real.

Entretanto, o crescimento da plataforma revelou um problema que o software não conseguia resolver sozinho.

Por que a tecnologia não solucionou o principal problema?

A plataforma conseguia aproximar marcas e criadores.

Contudo, não conseguia garantir que o empresário estivesse preparado para realizar uma boa campanha.

Muitos contratantes ainda não sabiam:

  • qual público desejavam alcançar;

  • qual influenciador correspondia ao nicho;

  • como apresentar o produto;

  • o que solicitar no briefing;

  • qual formato utilizar;

  • como acompanhar os resultados;

  • quanto tempo esperar;

  • como medir a conversão.

A tecnologia organizava o encontro, mas não substituía o planejamento estratégico.

Quando uma campanha não gerava vendas, alguns empresários responsabilizavam o influenciador ou a própria plataforma.

O problema, porém, frequentemente começava antes da contratação.

O erro de contratar influenciadores sem estratégia

Uma empresa não deveria contratar um criador apenas porque ele possui muitos seguidores ou parece estar relacionado ao seu setor.

É necessário analisar se existe uma conexão real entre:

  • produto;

  • influenciador;

  • audiência;

  • linguagem;

  • formato;

  • objetivo;

  • momento da campanha.

Sem esse alinhamento, a publicação pode se transformar apenas em exposição.

A marca aparece, mas não constrói desejo, confiança ou ação.

Marketing de influência não significa simplesmente pagar para alguém mencionar uma empresa.

É necessário criar uma comunicação capaz de integrar o produto à experiência do criador.

O exemplo das marcas de suplementos

Juliana utiliza o segmento de suplementos para demonstrar como a ausência de estratégia prejudica as campanhas.

Algumas empresas enviavam produtos caros para personal trainers ou influenciadores do universo fitness.

O envio, porém, não era acompanhado por um briefing estruturado.

O criador recebia o produto, publicava uma fotografia rápida nos Stories e agradecia pelo “recebido”.

A marca esperava vendas.

O influenciador entendia que deveria apenas mostrar o presente.

Como os objetivos não estavam claros, o resultado era frustrante.

O empresário investia no produto e no envio, mas recebia apenas uma exposição superficial.

“Recebido” não é uma estratégia de vendas

Enviar um produto não garante que o influenciador compreenderá:

  • os diferenciais da marca;

  • a forma correta de utilização;

  • o benefício principal;

  • o público prioritário;

  • o argumento de venda;

  • o chamado para ação;

  • a expectativa da campanha.

Sem orientação, o conteúdo tende a ser genérico.

O criador mostra a embalagem, agradece e segue para o próximo assunto.

Para produzir resultado, a campanha precisa definir o que deve acontecer depois da publicação.

O objetivo pode ser:

  • gerar reconhecimento;

  • apresentar um lançamento;

  • levar pessoas ao site;

  • incentivar o uso de um cupom;

  • conquistar cadastros;

  • aumentar downloads;

  • produzir vendas;

  • reposicionar a marca.

Cada objetivo exige uma estratégia diferente.

A importância de um briefing estruturado

O briefing orienta o trabalho do influenciador.

Ele não deve eliminar a personalidade do criador, mas fornecer as informações necessárias para uma comunicação coerente.

Um briefing eficiente pode apresentar:

  • objetivo da campanha;

  • público que a marca deseja alcançar;

  • informações obrigatórias;

  • diferenciais do produto;

  • formato esperado;

  • prazo de publicação;

  • restrições;

  • chamada para ação;

  • link ou cupom;

  • métricas que serão acompanhadas.

Também é necessário preservar a linguagem do influenciador.

Quando a marca exige um texto excessivamente rígido, o conteúdo pode parecer artificial.

O melhor resultado costuma surgir do equilíbrio entre direcionamento e autenticidade.

Por que Juliana descontinuou o software?

Depois de acompanhar o uso da plataforma por centenas de empresas, Juliana concluiu que o software não resolvia sozinho o maior gargalo do mercado.

As empresas ainda precisavam de pessoas capazes de:

  • compreender o negócio;

  • selecionar os criadores;

  • construir a estratégia;

  • organizar o briefing;

  • negociar;

  • acompanhar as entregas;

  • avaliar a qualidade;

  • interpretar os resultados;

  • corrigir a campanha.

A automação facilitava uma parte do trabalho, mas não substituía a curadoria.

Além disso, quando os contratantes utilizavam a ferramenta sem estratégia e não obtinham os resultados esperados, a reputação da plataforma também era afetada.

Para preservar a marca e entregar um trabalho mais consistente, Juliana decidiu descontinuar o software.

O pivô para uma agência boutique

Depois do encerramento da plataforma, a Publi foi reposicionada como uma agência boutique.

A nova estrutura passou a priorizar curadoria, planejamento e contratações estratégicas.

Em vez de tentar atender automaticamente um grande volume de empresas, a agência passou a acompanhar de maneira mais próxima as campanhas.

Essa mudança permitiu considerar aspectos que dificilmente são avaliados apenas por um sistema:

  • momento do influenciador;

  • qualidade da relação com a audiência;

  • riscos para a reputação;

  • compatibilidade de valores;

  • histórico de comportamento;

  • interpretação criativa do briefing;

  • contexto cultural;

  • percepção humana sobre a parceria.

A tecnologia permanece útil, mas funciona como apoio.

A decisão final exige análise humana.

O que significa ser uma agência boutique?

Uma agência boutique trabalha com uma proposta mais personalizada.

Ela procura compreender profundamente as necessidades de cada cliente e construir soluções específicas.

No marketing de influência, isso pode envolver:

  • seleção criteriosa de criadores;

  • negociações personalizadas;

  • campanhas desenvolvidas para cada marca;

  • acompanhamento próximo;

  • análise qualitativa e quantitativa;

  • atenção à reputação;

  • cuidado com a experiência das partes.

O valor não está apenas em fornecer uma lista de influenciadores.

Está em saber quem contratar, por que contratar e como construir uma campanha capaz de gerar resultado.

O software pode automatizar, mas não consegue interpretar tudo

A inteligência artificial e os sistemas de automação conseguem analisar grandes volumes de dados.

Eles podem ajudar a identificar:

  • alcance;

  • engajamento;

  • crescimento;

  • frequência;

  • palavras utilizadas;

  • características da audiência;

  • histórico de publicações.

Entretanto, algumas decisões ainda dependem de interpretação.

Um perfil pode apresentar números positivos e, mesmo assim, não transmitir confiança para determinado público.

Outro pode possuir métricas menores, mas manter uma comunidade extremamente fiel.

A escolha exige contexto.

É nesse ponto que a experiência humana permanece valiosa.

O serviço como diferencial competitivo

Segundo Juliana, a própria experiência de empresas internacionais reforça os limites da automação integral.

Ela relata o caso de uma plataforma americana do setor, listada na Nasdaq, cujo executivo reconheceu que o software, isoladamente, não era responsável pela lucratividade.

O valor estava associado à prestação de serviços.

Essa percepção ajuda a explicar uma mudança importante no mercado.

A tecnologia pode padronizar ferramentas, mas o serviço continua dependendo de:

  • entendimento;

  • relacionamento;

  • estratégia;

  • personalização;

  • responsabilidade;

  • confiança.

Quanto mais acessível a tecnologia se torna, maior pode ser o valor da interpretação humana.

Software disfarçado de serviço

Juliana também menciona uma tese atribuída à Sequoia Capital sobre o potencial das empresas que unem software e serviço.

A ideia central é que as organizações mais relevantes não oferecerão apenas uma ferramenta.

Elas utilizarão tecnologia para entregar uma solução completa ao cliente.

Isso significa que o usuário não precisará conhecer cada etapa técnica.

Ele contratará um resultado.

No marketing de influência, uma empresa não deseja apenas acessar uma lista de criadores.

Ela quer encontrar profissionais adequados, realizar boas campanhas, fortalecer a marca e gerar vendas.

O software pode organizar o processo, mas o serviço transforma a ferramenta em resultado.

A inteligência artificial transformou o conteúdo em commodity

Um dos pontos centrais da entrevista é a transformação do conteúdo em commodity.

Commodity é algo produzido em grande escala, facilmente encontrado e com pouca diferenciação entre as opções disponíveis.

A inteligência artificial permitiu que empresas e profissionais criassem rapidamente:

  • legendas;

  • roteiros;

  • artigos;

  • imagens;

  • calendários editoriais;

  • ideias de vídeos;

  • textos de anúncios;

  • apresentações;

  • estratégias básicas.

Essa democratização oferece muitos benefícios.

Ao mesmo tempo, ela aumenta a quantidade de conteúdos semelhantes.

Quando todos utilizam os mesmos comandos, referências e estruturas, as publicações começam a parecer produzidas pela mesma pessoa.

O problema do conteúdo correto, mas esquecível

Um conteúdo pode estar gramaticalmente correto, visualmente organizado e tecnicamente completo.

Ainda assim, pode não provocar qualquer identificação.

Isso acontece quando ele não possui elementos pessoais.

A informação parece adequada, mas poderia ter sido publicada por qualquer profissional.

O conteúdo não apresenta:

  • opinião;

  • experiência;

  • contexto;

  • memória;

  • vivência;

  • conflito;

  • personalidade;

  • ponto de vista.

A inteligência artificial pode ajudar a organizar uma mensagem.

Entretanto, quando o profissional não acrescenta sua própria perspectiva, a publicação tende a desaparecer entre milhares de conteúdos semelhantes.

Quando todos os perfis começaram a parecer iguais

Juliana observa que, especialmente a partir de 2024, diversos perfis profissionais passaram a seguir uma estética e uma estrutura muito parecidas.

No caso de médicos e outros especialistas, tornou-se comum encontrar:

  • fotografia usando blazer;

  • poses semelhantes;

  • textos genéricos;

  • listas com três dicas;

  • design padronizado;

  • frases previsíveis;

  • chamadas repetidas.

O problema não está no blazer, na fotografia profissional ou no formato educativo.

A dificuldade aparece quando todos esses elementos são utilizados sem qualquer característica pessoal.

O público não consegue distinguir um profissional do outro.

Informação deixou de ser suficiente

Durante muito tempo, compartilhar informações era uma maneira eficiente de construir autoridade.

O acesso ao conhecimento era mais restrito.

Hoje, uma pessoa pode utilizar ferramentas de inteligência artificial para obter respostas básicas sobre quase qualquer assunto.

Isso modifica a função do criador de conteúdo.

O público não procura apenas a informação fria.

Ele quer saber:

  • o que o profissional pensa;

  • como aplica aquele conhecimento;

  • o que viveu;

  • quais erros cometeu;

  • o que aprendeu;

  • quais escolhas faria;

  • qual experiência sustenta sua opinião.

A informação continua sendo importante, mas precisa ser acompanhada de interpretação.

O consumidor busca uma perspectiva humana

Uma ferramenta pode explicar um conceito.

Entretanto, ela não viveu a experiência do profissional.

Não conhece os detalhes de sua trajetória, as decisões que deram errado ou os momentos que transformaram sua visão.

É justamente esse repertório que diferencia uma pessoa.

Duas médicas podem explicar o mesmo assunto técnico.

Porém, cada uma possui:

  • uma história;

  • uma forma de atender;

  • experiências com pacientes;

  • valores;

  • escolhas profissionais;

  • uma maneira própria de comunicar.

O conteúdo humano revela essas diferenças.

A volta à essência humana

Para Juliana, o avanço da inteligência artificial não elimina a necessidade de pessoas.

Ele aumenta a importância daquilo que é genuinamente humano.

Quando produzir conteúdo deixa de ser uma dificuldade técnica, a diferenciação volta a depender da identidade.

As marcas precisam compreender:

  • quem são;

  • por que existem;

  • quais valores defendem;

  • quais histórias carregam;

  • como tratam as pessoas;

  • qual visão possuem;

  • que experiência conseguem oferecer.

A tecnologia ajuda na execução.

A essência orienta aquilo que deve ser comunicado.

O retorno dos eventos presenciais

Outro movimento observado por Juliana é o crescimento do interesse por eventos presenciais.

Durante a pandemia, houve um aumento significativo no tempo de tela.

Reuniões, aulas, palestras, encontros e eventos migraram para os ambientes digitais.

Essa mudança acelerou a utilização das plataformas, mas também produziu cansaço.

Depois de anos de excesso de conteúdo online, parte do público voltou a valorizar encontros físicos.

As pessoas buscam:

  • conversar pessoalmente;

  • conhecer profissionais;

  • trocar experiências;

  • construir relacionamentos;

  • sentir a energia do ambiente;

  • participar de comunidades;

  • viver algo que não se resume a assistir a uma tela.

Por que o presencial voltou a ganhar força?

O ambiente digital oferece velocidade e alcance.

O presencial oferece profundidade.

Em um evento, as pessoas não recebem apenas informações.

Elas também observam comportamentos, criam vínculos e participam de uma experiência compartilhada.

Uma conversa de poucos minutos pode construir mais confiança do que várias publicações.

O retorno do presencial não significa o fim do digital.

Os dois ambientes podem se complementar.

O conteúdo online apresenta a pessoa.

O encontro presencial aprofunda a relação.

O cansaço das “três dicas rasas”

O formato de conteúdo rápido ajudou profissionais a simplificar temas e alcançar grandes públicos.

Entretanto, a repetição excessiva desse modelo produziu saturação.

Publicações com “três dicas”, “cinco segredos” ou “um erro que você comete” continuam funcionando em determinados contextos.

O problema aparece quando toda a comunicação se limita a essas fórmulas.

O público recebe pequenas informações continuamente, mas raramente acompanha um raciocínio completo.

Juliana identifica uma busca crescente por conteúdos capazes de oferecer:

  • contexto;

  • profundidade;

  • desenvolvimento;

  • narrativa;

  • experiência;

  • conclusão.

O crescimento dos conteúdos longos

Depois de anos de predominância dos vídeos muito curtos, conteúdos mais longos voltaram a conquistar espaço.

Podcasts, entrevistas, documentários, séries e vídeos aprofundados permitem que o público conheça melhor as ideias e a personalidade de quem fala.

O conteúdo longo oferece tempo para:

  • explicar;

  • contextualizar;

  • contar histórias;

  • apresentar exemplos;

  • reconhecer contradições;

  • desenvolver uma opinião;

  • construir confiança.

Isso não significa que os vídeos curtos perderam sua função.

Eles continuam sendo importantes para alcançar novas pessoas.

O conteúdo longo, porém, pode aprofundar a relação iniciada por um vídeo curto.

As minisséries nas redes sociais

Entre as tendências apresentadas por Juliana está o crescimento das minisséries estruturadas em episódios.

O formato utiliza características do conteúdo de redes sociais, mas incorpora elementos de séries e documentários.

Em vez de concentrar toda a mensagem em um único vídeo, a marca acompanha uma jornada.

Uma minissérie pode mostrar:

  • a criação de um produto;

  • os bastidores de uma empresa;

  • uma transformação pessoal;

  • o desenvolvimento de um projeto;

  • os desafios de uma equipe;

  • a trajetória de um cliente;

  • a preparação para um evento;

  • a expansão de um negócio.

Cada episódio estimula o público a acompanhar o próximo.

Por que as jornadas reais geram conexão?

A inteligência artificial pode simular uma narrativa.

Porém, uma jornada real possui acontecimentos, erros e mudanças que não foram inventados apenas para gerar engajamento.

Quando uma marca registra um processo verdadeiro, o público acompanha algo que está acontecendo.

Existe incerteza.

Nem tudo está completamente controlado.

Essa característica torna a narrativa mais humana.

As pessoas não observam apenas o resultado final.

Elas acompanham:

  • dúvidas;

  • decisões;

  • dificuldades;

  • correções;

  • pequenas conquistas;

  • transformações.

A realidade fornece detalhes que um conteúdo genérico não consegue reproduzir.

A própria história como matéria-prima

Nas mentorias, Juliana incentiva empresários a olhar para a própria trajetória.

Ela utiliza referências de aprendizados obtidos em treinamentos de desenvolvimento pessoal, como “Desperte seu Poder Interior”, realizado com Tony Robbins em 2018.

O objetivo não é transformar todo conteúdo em uma exposição indiscriminada da vida pessoal.

A proposta é identificar experiências capazes de explicar:

  • quem a pessoa se tornou;

  • por que criou o negócio;

  • quais problemas enfrentou;

  • como desenvolveu sua visão;

  • quais valores orientam suas decisões;

  • por que acredita no trabalho que realiza.

A história pessoal fornece elementos únicos.

O mapeamento dos pontos altos e baixos

Uma trajetória não é formada apenas por vitórias.

Os momentos difíceis também ajudam a construir a identidade de uma pessoa.

Mapear os pontos altos e baixos permite reconhecer acontecimentos que influenciaram decisões importantes.

Entre eles podem estar:

  • uma demissão;

  • uma mudança de cidade;

  • uma empresa que não funcionou;

  • uma campanha que fracassou;

  • um cliente importante;

  • uma crise;

  • uma sociedade encerrada;

  • o primeiro grande contrato;

  • uma transformação familiar;

  • uma decisão profissional.

Esses acontecimentos podem se tornar conteúdos quando estão ligados a um aprendizado verdadeiro.

Vulnerabilidade não significa exposição sem limites

Compartilhar histórias pessoais não exige revelar tudo.

Cada profissional precisa estabelecer limites.

A vulnerabilidade estratégica acontece quando uma experiência é comunicada com propósito e responsabilidade.

Antes de publicar, é possível perguntar:

  • Essa história ajuda o público?

  • Existe um aprendizado claro?

  • Estou preparado para compartilhar?

  • Outras pessoas são envolvidas?

  • A exposição respeita minha privacidade?

  • O conteúdo possui relação com meu trabalho?

Autenticidade não significa ausência de fronteiras.

Significa coerência entre aquilo que a pessoa comunica e aquilo que realmente vive.

Por que as pessoas acompanham personagens reais?

O público se conecta com pessoas porque consegue acompanhar suas jornadas.

Juliana utiliza o exemplo de influenciadoras como Virgínia Fonseca para demonstrar a força da continuidade narrativa.

Os seguidores não acompanham apenas publicações isoladas.

Eles observam:

  • rotina;

  • família;

  • desafios;

  • projetos;

  • lançamentos;

  • relacionamentos;

  • mudanças;

  • conquistas.

Cada publicação funciona como um novo episódio.

A audiência sente que conhece os personagens e deseja saber o que acontecerá depois.

Essa lógica ajuda a explicar por que histórias podem produzir mais engajamento do que informações isoladas.

Marketing de influência é construção de confiança

Influência não é apenas capacidade de alcançar pessoas.

É capacidade de interferir em percepções e decisões.

Para isso, o público precisa confiar em quem comunica.

Essa confiança é construída ao longo do tempo por meio de:

  • coerência;

  • frequência;

  • transparência;

  • experiência;

  • responsabilidade;

  • proximidade;

  • escolhas comerciais.

Uma campanha isolada pode gerar visibilidade.

Uma relação de confiança pode gerar influência duradoura.

A força dos microinfluenciadores

Outra tendência destacada por Juliana é o crescimento dos microinfluenciadores.

Esses criadores possuem audiências menores, mas frequentemente mantêm uma relação mais próxima com seus seguidores.

Eles podem atuar em:

  • regiões específicas;

  • nichos profissionais;

  • comunidades;

  • estilos de vida;

  • interesses especializados;

  • setores locais.

Para uma marca, um microinfluenciador pode oferecer acesso a um público mais definido.

O alcance individual pode ser menor, mas a identificação pode ser maior.

Grande audiência ou audiência qualificada?

A escolha não deveria ser baseada apenas no tamanho.

Uma grande celebridade pode oferecer alcance nacional e reconhecimento imediato.

Um grupo de influenciadores menores pode proporcionar frequência, segmentação e presença em diferentes comunidades.

A melhor opção depende do objetivo.

Uma marca precisa avaliar:

  • quem deseja alcançar;

  • onde o público está;

  • qual mensagem será transmitida;

  • quanto possui para investir;

  • qual nível de confiança é necessário;

  • qual ação espera do consumidor.

Em alguns casos, um perfil de milhões de seguidores será adequado.

Em outros, dezenas de criadores menores produzirão um efeito mais consistente.

O que é a “estratégia da bolha”?

A “estratégia da bolha” consiste em posicionar uma marca em diferentes canais que fazem parte do universo de consumo do mesmo público.

Em vez de investir todo o orçamento em uma única celebridade, a empresa distribui sua presença entre:

  • podcasts;

  • influenciadores;

  • canais especializados;

  • newsletters;

  • eventos;

  • comunidades;

  • perfis de nicho.

O consumidor começa a encontrar a marca em vários lugares.

Com o tempo, surge a percepção de que “todo mundo está falando sobre aquilo”.

A marca passa a fazer parte da bolha de conteúdo daquela pessoa.

O efeito de onipresença

A repetição em diferentes contextos aumenta a familiaridade.

Na primeira vez, o consumidor apenas percebe a marca.

Na segunda, começa a reconhecê-la.

Depois de novos contatos, pode desenvolver curiosidade e confiança.

O efeito não depende de uma única publicação viral.

Ele é construído por uma sequência de aparições.

A pessoa ouve a marca em um podcast, vê um criador utilizando o produto, encontra outro influenciador comentando e recebe uma recomendação em um canal especializado.

A combinação cria uma sensação de relevância.

O exemplo da Insider

Juliana utiliza marcas como a Insider para ilustrar esse modelo.

Em vez de depender exclusivamente de uma celebridade, a empresa construiu presença em diferentes canais, podcasts e comunidades.

Cada parceria alcança uma parte do público.

Somadas, elas produzem uma forte percepção de presença.

O consumidor pode não seguir todos os criadores envolvidos, mas encontra a marca repetidamente dentro de seu ecossistema de conteúdo.

Essa estratégia também permite testar públicos, mensagens e formatos.

Frequência sem coerência não gera confiança

A estratégia da bolha não significa aparecer em qualquer lugar.

As parcerias precisam manter coerência.

Se a marca escolhe influenciadores que não possuem relação com o produto, a repetição pode parecer artificial.

É necessário avaliar:

  • compatibilidade de valores;

  • relação com o público;

  • uso verdadeiro do produto;

  • qualidade da comunicação;

  • histórico do influenciador;

  • reputação;

  • naturalidade da indicação.

A frequência aumenta a lembrança.

A coerência transforma lembrança em confiança.

A responsabilidade do influenciador na escolha das marcas

O criador de conteúdo também precisa realizar uma curadoria.

Aceitar todas as propostas pode produzir ganhos imediatos, mas prejudicar a carreira no longo prazo.

Cada publicidade funciona como uma recomendação.

Quando um influenciador apresenta uma empresa, transfere parte de sua credibilidade para ela.

Se o produto for ruim ou a marca agir de maneira duvidosa, a confiança do público pode ser afetada.

Por isso, o profissional precisa saber dizer “não”.

Credibilidade é um patrimônio

O número de seguidores pode mudar rapidamente.

A credibilidade é construída durante anos.

Um influenciador que recomenda produtos sem critérios pode alcançar bons resultados temporários, mas enfraquecer sua relação com a audiência.

Antes de aceitar uma campanha, ele precisa investigar:

  • origem da empresa;

  • qualidade do produto;

  • reputação;

  • atendimento;

  • promessas realizadas;

  • riscos para o consumidor;

  • compatibilidade com seus valores;

  • experiência pessoal com a solução.

A remuneração de uma única campanha precisa ser comparada ao impacto sobre toda a carreira.

O risco das marcas duvidosas e das apostas

Juliana destaca a importância de avaliar com cuidado propostas de empresas de origem duvidosa e plataformas de apostas.

Esses setores podem oferecer valores elevados para publicidade.

Entretanto, também podem apresentar riscos éticos e reputacionais.

O influenciador precisa considerar que parte de seu público tomará decisões com base em sua recomendação.

Quando a parceria envolve prejuízos financeiros, promessas enganosas ou comportamentos potencialmente nocivos, a responsabilidade é ainda maior.

Dizer “não” pode significar abrir mão de uma receita imediata para preservar a confiança construída.

O influenciador precisa consumir aquilo que divulga

Uma recomendação ganha força quando está relacionada a uma experiência real.

O influenciador que utiliza o produto consegue explicar:

  • por que escolheu;

  • como utiliza;

  • quais benefícios percebeu;

  • em quais situações recomenda;

  • quais limites encontrou.

Quando não existe experiência, a publicidade tende a parecer uma leitura de roteiro.

O público percebe a distância entre uma indicação genuína e uma campanha realizada apenas pelo pagamento.

Por isso, marcas e influenciadores precisam criar relações mais coerentes.

O dono do negócio precisa aparecer

Uma das mensagens mais importantes da entrevista é que o empresário não consegue delegar completamente o próprio rosto.

Equipes de marketing podem desenvolver estratégias, roteiros, campanhas e conteúdos.

Entretanto, não podem substituir a história, a autoridade e a visão do fundador.

O público deseja saber quem está por trás da empresa.

Quando o dono aparece, ele pode:

  • explicar decisões;

  • apresentar valores;

  • contar a origem do negócio;

  • defender ideias;

  • assumir responsabilidades;

  • construir confiança;

  • aproximar a empresa das pessoas.

A marca pessoal funciona como uma chancela.

Por que o empresário resiste a aparecer?

Muitos donos de negócios evitam produzir conteúdo porque:

  • sentem vergonha;

  • acreditam que não sabem falar;

  • têm medo de críticas;

  • não gostam da própria imagem;

  • desejam separar completamente vida e empresa;

  • esperam possuir equipamentos melhores;

  • acreditam que a equipe pode fazer tudo;

  • não sabem quais assuntos abordar.

Essas dificuldades são compreensíveis.

Entretanto, aparecer não significa transformar-se em influenciador de entretenimento.

O empresário pode comunicar conhecimento, bastidores, decisões e experiências relacionadas ao próprio negócio.

O rosto transmite confiança

Empresas são estruturas jurídicas.

Pessoas constroem relacionamentos.

Quando o consumidor conhece quem está por trás de uma marca, consegue atribuir identidade ao negócio.

O rosto do fundador pode comunicar:

  • compromisso;

  • responsabilidade;

  • visão;

  • proximidade;

  • segurança;

  • personalidade.

Em mercados com muitos concorrentes oferecendo produtos semelhantes, essa identificação pode tornar-se um diferencial.

O consumidor não escolhe apenas o que comprar.

Também escolhe de quem comprar.

Exemplos de empresários que utilizam a marca pessoal

Juliana cita empresários como Flávio Augusto, Thiago Nigro e João Adib como exemplos de líderes que utilizam suas marcas pessoais para fortalecer os negócios.

Cada um desenvolveu uma maneira própria de comunicar ideias, experiências e posicionamentos.

A presença pública funciona como um carimbo de confiança sobre as empresas relacionadas a eles.

Isso não significa que todo empresário precise copiar esses estilos.

O aprendizado está em reconhecer que a figura do fundador pode gerar valor para a marca corporativa.

Marca pessoal e marca empresarial

A marca pessoal não precisa substituir a empresa.

As duas podem se fortalecer mutuamente.

A marca empresarial reúne:

  • produtos;

  • serviços;

  • equipe;

  • processos;

  • identidade visual;

  • experiência do cliente.

A marca pessoal acrescenta:

  • história;

  • opinião;

  • autoridade;

  • visão;

  • personalidade;

  • vínculo emocional.

Quando existe coerência, a reputação do fundador fortalece a empresa, enquanto os resultados da organização reforçam a autoridade do fundador.

Não há como terceirizar a própria experiência

Uma agência pode ajudar o empresário a organizar sua comunicação.

Pode desenvolver:

  • posicionamento;

  • calendário;

  • roteiros;

  • gravações;

  • edição;

  • distribuição;

  • análise.

Entretanto, a experiência precisa vir do próprio empresário.

A equipe pode estruturar a mensagem, mas não inventar legitimamente aquilo que ele viveu.

Por isso, o conteúdo mais forte costuma surgir de uma colaboração.

O empresário fornece conhecimento, história e opinião.

A equipe transforma esse material em uma comunicação clara e estratégica.

Como criar conteúdo humano utilizando inteligência artificial?

A inteligência artificial não precisa ser tratada como inimiga.

Ela pode ajudar em diferentes etapas:

  • pesquisa inicial;

  • organização de ideias;

  • revisão;

  • criação de estruturas;

  • adaptação de formatos;

  • análise de dados;

  • planejamento;

  • produtividade.

O risco surge quando a ferramenta substitui completamente o pensamento e a experiência da pessoa.

Para preservar a identidade, o profissional pode acrescentar:

  • casos reais;

  • opiniões próprias;

  • aprendizados;

  • exemplos do cotidiano;

  • histórias;

  • discordâncias;

  • decisões;

  • linguagem natural.

A IA organiza.

A pessoa precisa fornecer a perspectiva.

Principais lições da entrevista com Juliana Stier

A conversa apresenta aprendizados importantes para marcas, empresários, influenciadores e profissionais de comunicação.

1. Tecnologia não substitui estratégia

Uma plataforma pode conectar marcas e criadores, mas não consegue corrigir sozinha a ausência de planejamento.

2. Número de seguidores não garante resultado

A compatibilidade entre público, criador, produto e mensagem é mais importante do que uma métrica isolada.

3. Todo influenciador precisa ser avaliado profissionalmente

Cumprimento de prazos, qualidade das entregas e capacidade de gerar conversão também precisam ser considerados.

4. O briefing é indispensável

Sem orientação clara, uma campanha pode terminar em um simples agradecimento pelo produto recebido.

5. A inteligência artificial tornou o conteúdo básico abundante

Informações genéricas podem ser produzidas em grande escala, reduzindo sua capacidade de diferenciação.

6. O público quer perspectiva

As pessoas desejam conhecer a experiência, a opinião e a história de quem comunica.

7. Conteúdos longos voltaram a ganhar espaço

Podcasts, entrevistas e séries permitem aprofundar temas e construir relacionamentos.

8. Jornadas reais são difíceis de copiar

Bastidores, processos e transformações verdadeiras oferecem elementos que conteúdos genéricos não possuem.

9. Microinfluenciadores podem gerar resultados relevantes

Comunidades menores e segmentadas podem apresentar maior confiança e identificação.

10. A repetição em diferentes canais cria uma bolha

A presença coordenada em vários criadores e plataformas aumenta familiaridade e percepção de relevância.

11. O influenciador precisa proteger sua credibilidade

Aceitar marcas duvidosas pode gerar receita imediata e prejudicar toda a carreira.

12. O dono do negócio precisa participar da comunicação

A história e a autoridade do fundador não podem ser completamente terceirizadas.

Perguntas frequentes sobre Juliana Stier e o marketing de influência

1. Quem é Juliana Stier?

Juliana Stier é publicitária, empresária e fundadora da agência Publi, especializada em marketing de influência.

2. Quando Juliana começou a trabalhar com influenciadores?

Sua trajetória no setor começou em 2016, durante sua atuação na Cabify.

3. Qual foi o papel de Juliana no Rappi?

Ela ajudou a estruturar e liderar a área de marketing de influência durante a expansão da empresa no Brasil.

4. Qual resultado foi alcançado em Curitiba?

Segundo o relato apresentado, o projeto de aquisição de clientes por influenciadores em Curitiba superou os resultados da praça de São Paulo.

5. Quantas cidades o Rappi passou a atender durante a expansão?

No período relatado, a operação avançou de 5 para aproximadamente 200 cidades.

6. O que foi a Brain Booster?

Foi a agência criada por Juliana para atender à crescente demanda por campanhas e influenciadores durante a expansão do mercado.

7. Quantos criadores foram mapeados?

A estrutura reuniu uma base ativa com mais de 3.000 criadores.

8. O banco de dados considerava apenas seguidores?

Não. Ele também analisava prazos, briefings, qualidade das entregas e capacidade de gerar conversões.

9. O que era a plataforma Publi?

Era um software que aproximava empresas e influenciadores, funcionando como uma espécie de “Tinder corporativo”.

10. Quantas empresas utilizaram a plataforma?

Mais de 600 empresas chegaram a utilizar o sistema.

11. Por que o software foi descontinuado?

Porque a tecnologia não conseguia resolver sozinha problemas como falta de estratégia, escolha inadequada de influenciadores e briefings mal construídos.

12. O que a Publi se tornou?

A Publi foi reposicionada como uma agência boutique focada em curadoria, estratégia e contratações humanas.

13. Qual é um erro comum das marcas no marketing de influência?

Contratar influenciadores ou enviar produtos sem definir público, objetivo, formato e briefing.

14. Por que um “recebido” pode não gerar vendas?

Porque uma breve exposição do produto não necessariamente explica seus benefícios, cria desejo ou direciona o público para uma ação.

15. A inteligência artificial acabou com o marketing de conteúdo?

Não. Ela aumentou a capacidade de produção, mas também tornou os conteúdos genéricos mais semelhantes.

16. O que significa dizer que o conteúdo se tornou uma commodity?

Significa que conteúdos básicos podem ser produzidos facilmente e em grande escala, dificultando a diferenciação.

17. Como uma marca pode se diferenciar na era da IA?

Utilizando histórias reais, experiência, opinião, repertório, personalidade e relacionamento humano.

18. Por que os eventos presenciais voltaram a ganhar força?

Porque parte do público está cansada do excesso de telas e busca conexões, experiências e relacionamentos reais.

19. Os conteúdos longos estão voltando?

Sim. Podcasts, entrevistas, minisséries e vídeos aprofundados oferecem contexto e ajudam a construir confiança.

20. O que são minisséries para redes sociais?

São conteúdos organizados em episódios que acompanham uma jornada, um projeto, uma transformação ou os bastidores de uma empresa.

21. Por que histórias pessoais funcionam?

Porque apresentam experiências e perspectivas que não podem ser reproduzidas de maneira idêntica por outras pessoas.

22. O que é um microinfluenciador?

É um criador com audiência menor e geralmente mais segmentada, regional ou conectada a um nicho específico.

23. O que é a “estratégia da bolha”?

É a distribuição da marca entre diferentes influenciadores e canais consumidos pelo mesmo público, criando uma sensação de presença constante.

24. Uma empresa deve contratar uma celebridade ou vários criadores menores?

A escolha depende do objetivo, do orçamento, do público e do nível de segmentação desejado.

25. Por que o influenciador precisa selecionar as marcas?

Porque cada publicidade afeta sua reputação e transfere parte de sua credibilidade para a empresa anunciada.

26. Por que divulgar empresas duvidosas é perigoso?

Porque o público pode sofrer prejuízos e deixar de confiar nas recomendações futuras do criador.

27. O empresário precisa aparecer nas redes sociais?

Segundo a visão apresentada por Juliana, a presença do fundador ajuda a construir confiança, identidade e autoridade.

28. É possível delegar a produção de conteúdo?

É possível delegar planejamento, gravação, edição e distribuição, mas a experiência e a perspectiva do empresário precisam vir dele.

29. A inteligência artificial pode ser utilizada na comunicação?

Sim. Ela pode apoiar a produtividade e a organização, desde que não substitua completamente a identidade e o pensamento de quem comunica.

30. Qual é a principal mensagem da entrevista?

O futuro do marketing será tecnológico, mas as marcas que desejam se diferenciar precisarão fortalecer sua dimensão humana.

Por que a entrevista de Juliana Stier é importante?

A entrevista ajuda a compreender uma contradição do mercado atual.

Nunca foi tão fácil produzir conteúdo.

Ao mesmo tempo, nunca foi tão difícil produzir algo verdadeiramente distinto.

A inteligência artificial eliminou parte das dificuldades técnicas.

Uma pequena empresa agora consegue criar textos, imagens, roteiros e planejamentos com recursos antes disponíveis apenas para grandes equipes.

Entretanto, quando todos utilizam as mesmas ferramentas da mesma maneira, as marcas começam a se parecer.

A diferenciação deixa de depender apenas da qualidade visual ou da frequência.

Ela passa a depender da identidade.

Juliana conhece essa transformação porque acompanhou diferentes fases do marketing de influência.

Ela trabalhou dentro de grandes empresas, participou de uma expansão nacional, criou uma agência, construiu um banco de dados com milhares de influenciadores e desenvolveu uma plataforma tecnológica.

Depois de testar a automação, concluiu que o fator humano continuava indispensável.

O futuro do marketing não é menos tecnológico

A valorização do elemento humano não significa abandonar a tecnologia.

Empresas e criadores continuarão utilizando inteligência artificial, automação, bancos de dados e ferramentas de análise.

Esses recursos serão importantes para:

  • reduzir tarefas repetitivas;

  • organizar informações;

  • identificar oportunidades;

  • acelerar processos;

  • analisar métricas;

  • ampliar a capacidade de produção.

A mudança está na função da tecnologia.

Ela deve apoiar a estratégia, não substituir a identidade.

Uma marca que automatiza a execução pode ganhar eficiência.

Uma marca que automatiza completamente a própria voz corre o risco de perder personalidade.

Da automação para a curadoria

A trajetória da Publi representa uma mudança importante no próprio mercado.

O software procurava automatizar o encontro entre marcas e influenciadores.

A agência boutique passou a priorizar a curadoria.

Essa transformação mostra que possuir muitas opções não significa saber escolher.

Uma empresa pode acessar milhares de criadores e continuar sem saber qual contratar.

Pode receber diversos dados e não conseguir interpretá-los.

Pode produzir conteúdo todos os dias sem construir uma marca reconhecida.

A curadoria organiza as possibilidades de acordo com um objetivo.

Da informação para a experiência

O conteúdo tradicional frequentemente começa com a pergunta: “O que posso ensinar?”

Na era da inteligência artificial, outra pergunta se torna necessária:

“Qual é a minha perspectiva sobre aquilo que estou ensinando?”

A diferença está na experiência.

Um conteúdo pode explicar o funcionamento de uma campanha.

Outro pode mostrar o que aconteceu quando uma campanha real não funcionou, quais decisões foram tomadas e o que mudou depois.

Os dois oferecem informação.

O segundo também oferece história, contexto e interpretação.

É isso que ajuda o público a reconhecer quem está falando.

Do alcance para a confiança

Durante muito tempo, o marketing digital concentrou grande atenção no alcance.

Quanto mais pessoas vissem uma publicação, maior seria sua importância.

O alcance continua relevante, mas não garante influência.

Uma audiência pode assistir sem confiar.

Pode curtir sem comprar.

Pode compartilhar sem desenvolver qualquer relação com a marca.

A confiança exige continuidade.

Ela nasce quando o público percebe coerência entre:

  • discurso;

  • escolhas;

  • comportamento;

  • produtos;

  • parcerias;

  • entregas.

O marketing de influência se torna mais eficiente quando deixa de buscar apenas exposição e começa a construir credibilidade.

Do conteúdo isolado para a narrativa

Outra mudança importante é a passagem das publicações isoladas para as narrativas contínuas.

Um conteúdo isolado precisa conquistar atenção e transmitir uma mensagem completa.

Uma série cria expectativa.

O público deseja acompanhar o desenvolvimento.

Essa estrutura pode ser utilizada por empresas para mostrar:

  • construção;

  • transformação;

  • expansão;

  • bastidores;

  • resolução de problemas;

  • participação de clientes;

  • evolução de projetos.

A narrativa torna a marca mais fácil de acompanhar porque oferece continuidade.

Do personagem perfeito para a pessoa real

A comunicação profissional frequentemente tentou construir imagens impecáveis.

Fotos perfeitas, discursos controlados e resultados constantes dominavam os perfis.

A saturação desse modelo criou espaço para uma comunicação mais humana.

O público não precisa conhecer todos os detalhes da vida do empresário.

Entretanto, deseja perceber que existe uma pessoa real por trás do conteúdo.

Isso inclui reconhecer:

  • dúvidas;

  • aprendizados;

  • decisões;

  • limites;

  • mudanças;

  • erros;

  • valores.

A confiança não exige perfeição.

Ela exige coerência.

O que marcas e empresários precisam fazer em 2026?

A partir das ideias apresentadas por Juliana, algumas ações tornam-se importantes.

Conhecer a própria história

A marca precisa identificar quais experiências explicam sua origem, seus valores e sua maneira de trabalhar.

Definir uma perspectiva

Não basta repetir informações disponíveis em qualquer ferramenta. É necessário apresentar um ponto de vista.

Utilizar a inteligência artificial como apoio

A IA pode aumentar a produtividade, mas o conteúdo final precisa carregar elementos humanos.

Investir em formatos profundos

Entrevistas, séries, documentários e bastidores ajudam a construir relacionamento.

Combinar digital e presencial

Eventos e encontros podem aprofundar conexões iniciadas nas redes sociais.

Escolher influenciadores com estratégia

A compatibilidade deve ser mais importante do que o número de seguidores.

Construir briefings claros

O criador precisa entender o objetivo, a mensagem e a ação esperada.

Distribuir a presença

Uma rede de criadores menores pode produzir frequência e cercar o consumidor dentro de sua bolha.

Proteger a credibilidade

Marcas e influenciadores precisam avaliar cuidadosamente cada parceria.

Colocar o fundador na comunicação

O empresário precisa participar da construção da confiança e não delegar completamente a própria voz.

Conclusão

A entrevista de Juliana Stier ao podcast de Hugo Jordão apresenta uma análise sobre o presente e o futuro do marketing de influência.

Sua trajetória começou em 2016, na Cabify, quando o trabalho com influenciadores ainda estava em uma fase inicial de profissionalização.

Depois, Juliana passou pelo Rappi e ajudou a estruturar a área de marketing de influência durante a expansão da empresa no Brasil.

Um projeto desenvolvido em Curitiba alcançou resultados superiores aos obtidos em São Paulo, demonstrando a força das estratégias locais e da escolha adequada dos criadores.

Com o crescimento da operação, Juliana fundou a Brain Booster.

A empresa desenvolveu uma base ativa com mais de 3.000 influenciadores e passou a avaliar não apenas seguidores, mas também cumprimento de prazos, qualidade das entregas e conversão.

Esses dados deram origem à Publi, uma plataforma criada para aproximar marcas e criadores.

O sistema foi utilizado por mais de 600 empresas.

Entretanto, a experiência revelou que a tecnologia não conseguia resolver sozinha o principal problema do mercado.

Muitos empresários não sabiam escolher o nicho, construir um briefing ou definir objetivos.

Produtos caros eram enviados a influenciadores e terminavam apresentados apenas como “recebidos”, sem uma estratégia capaz de gerar vendas.

Ao perceber que a automação não substituía a curadoria, Juliana decidiu descontinuar o software e transformar a Publi em uma agência boutique.

A mudança representou uma escolha pelo planejamento, pelo relacionamento e pela análise humana.

Essa experiência tornou-se ainda mais relevante com o avanço da inteligência artificial.

As ferramentas facilitaram a produção e transformaram o conteúdo básico em uma commodity.

Textos, imagens e roteiros podem ser criados em poucos minutos.

Como consequência, diversos perfis começaram a reproduzir as mesmas fórmulas, imagens e mensagens.

O consumidor, porém, não deseja apenas uma informação que poderia obter sozinho em uma ferramenta.

Ele busca a perspectiva de quem viveu aquilo.

Deseja conhecer experiências, opiniões, aprendizados e histórias.

Por isso, Juliana identifica um retorno ao conteúdo profundo, às jornadas reais e aos encontros presenciais.

Podcasts, minisséries e formatos documentais permitem que o público acompanhe processos e conheça melhor as pessoas.

No marketing de influência, a tendência também aponta para a utilização estratégica de microinfluenciadores.

Em vez de concentrar todo o orçamento em uma única celebridade, as marcas podem distribuir sua presença entre vários canais e comunidades.

Essa “estratégia da bolha” faz com que o consumidor encontre a empresa repetidamente e desenvolva familiaridade.

A entrevista também reforça a responsabilidade dos criadores.

A credibilidade precisa ser protegida.

Aceitar campanhas de marcas duvidosas ou recomendar produtos que não utiliza pode produzir ganhos imediatos, mas prejudicar a confiança construída durante anos.

Da mesma forma, o empresário precisa reconhecer que não pode delegar completamente o próprio rosto.

Agências podem organizar a estratégia e produzir o conteúdo.

Entretanto, ninguém consegue substituir a história, a experiência e a visão do fundador.

O futuro do marketing não será uma disputa entre seres humanos e inteligência artificial.

Será uma disputa entre marcas genéricas e marcas capazes de utilizar a tecnologia sem perder a identidade.

As ferramentas continuarão evoluindo.

A produção ficará ainda mais rápida.

A automação ocupará mais etapas.

Mas aquilo que realmente diferencia uma pessoa continuará vindo de sua trajetória.

Em um mercado no qual qualquer empresa consegue produzir conteúdo, a vantagem não estará apenas em publicar.

Estará em ter algo verdadeiro para dizer.

Escrito por Hugo Jordão